Foto: Divulgação

Neste sábado (14), o dia vai virar noite em parte do Brasil, em função do Grande Eclipse das Américas. A Lua vai encobrir o Sol, e de todo o país será observar o fenômeno – na maioria do território, porém, de forma parcial. Para quem quiser assistir on-line, o Observatório Nacional, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação (MCTI), vai transmitir o eclipse solar a partir das 11h (horário de Brasília). A ação é uma parceria com a organização internacional Time and Date. Em Salvador, o fenômeno poderá ser visto parcialmente, por volta das 16h45. 

O eclipse anular do Sol acontece quando a distância da Lua não a permite cobrir toda a luz solar, deixando uma espécie de anel brilhante. Para observá-lo, é preciso adotar alguns cuidados para evitar danos à retina e, até mesmo, um quadro de cegueira permanente. Não se deve olhar diretamente para o Sol em hipótese nenhuma, nem mesmo com o uso de películas de raio-x, óculos escuros ou outro material caseiro. A exposição ao Sol, mesmo durante poucos segundos, danifica a retina de modo irreversível.

A oftalmologista e professora doutora da Universidade Salvador (Unifacs), Nedy Neves, explica por qual motivo não devemos olhar diretamente para o Sol, inclusive durante o eclipse. “A observação direta do eclipse sem o equipamento adequado pode gerar uma queimadura na fóvea, que é a área nobre da retina, causando um fototraumatismo. Essa lesão pode evoluir para a cegueira parcial ou total irreversível, por conta da queimadura das células dessa área”, alerta. 

Nedy explica que o fototraumatismo ocasionado durante uma observação direta sem equipamento adequado acontece porque a retina não consegue se proteger de forma eficaz de radiações são emitidas pelo Sol. Para que a observação direta do fenômeno aconteça de forma segura, é imprescindível o uso de filtros solares oculares e seguir algumas regras de segurança.

“Essa observação deve ser feita com o uso de equipamentos especiais com lentes metalizadas e filtros de alumínio, encontrados em telescópios e óculos especiais para eclipses”, esclarece Nedy Neves. Ainda assim, a observação não deve ultrapassar um período de 30 segundos, sendo sempre seguida por um intervalo de 3 minutos de descanso.   

Além disso, há a opção de o fenômeno ser visto de maneira indireta, projetando a imagem em um anteparo branco, como uma parede ou papel. “Óculos escuros, mesmo com proteção UV, não evitam os danos que podem ocorrer com a exposição”, alerta a especialista. Isso acontece porque os óculos escuros não possuem filtros adequados e eficazes para a proteção da retina.  A oftalmologista também lembra que a proteção com filmes negativos de RX ou similares é um mito e não evita a queimadura da retina.  

Observar o Sol com algum instrumento óptico, como binóculo ou telescópio, só é permitido sob orientação de astrônomos experientes e que saberão os filtros corretos a serem usados. Para a observação, não use nenhum instrumento que não tenha sido preparado por profissionais.

Como será o fenômeno no Brasil e no mundo

Nove Estados do Norte e do Nordeste poderão ver o eclipse em seu modo anular, que será o mais completo. Segundo o Observatório Nacional, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o eclipse deve começar por volta das 15h (de Brasília).

A anularidade – formação de um ‘anel de fogo’ ao redor da Lua – será visível em dez países: Estados Unidos, México, Belize, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Colômbia e Brasil. Em outras partes das Américas – do Alasca à Argentina – será possível ver um eclipse parcial. Daí o fenômeno ter ganho, nesta ocasião, referência às Américas em seu nome.

Na costa oeste dos Estados Unidos, o eclipse vai começar às 11h30. Como será amanhecer lá, o Sol ainda vai estar abaixo do horizonte. Depois, o eclipse vai seguir pela América Central e Colômbia. Deve chegar ao Brasil por volta das 15h e seguirá até o pôr-do-sol, por volta das 18 horas (de Brasília). A faixa de anularidade vai passar por nove estados: Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Tocantins, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

Só duas capitais poderão ver a anularidade: Natal (Rio Grande do Norte), onde o auge do eclipse deve ser às 15h45, e João Pessoa (Paraíba), onde o ponto alto vai ocorrer um minuto depois, às 15h46. As primeiras cidades brasileiras a ver o eclipse anular em seu auge ficam no Amazonas – em Tefé, por exemplo, será às 15h11. Essas previsões são da Nasa, a agência espacial norte-americana.

Em todo o restante do Brasil será possível ver um eclipse parcial. Na cidade de São Paulo, por exemplo, o eclipse deve começar às 15h40, terá seu auge às 16h49 e vai terminar às 17h50. Nas demais cidades paulistas, a diferença de horários deve ser de apenas alguns segundos.

Para saber se o eclipse será visível na sua região, é possível acessar este endereço na internet. Nele, é possível ver no mapa a trajetória do eclipse, incluindo a faixa de anularidade e a região da parcialidade, ou seja, os locais onde o eclipse será apenas parcial.

O eclipse anular ocorre quando a Lua está em seu apogeu (o ponto mais distante da Terra, em sua órbita). Nesse período, a Lua parece menor do que o Sol no céu. O último eclipse anular do Sol ocorreu em junho de 2021, mas não foi visível no Brasil. O próximo eclipse deste tipo será em 2 de outubro de 2024.

Fonte: Estadão Conteúdo/Muita Informação

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